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Published
by on 9 de setembro de 2007
Danilo Fraga
(Os créditos das fotos são de Danilo Fraga e da assessoria
do evento)
No mundo todo, não há lugar menos provável para a utilização
de camisetas pretas, calças apertadas e coturnos do que o Brasil. No Brasil,
não há estado menos indicado para o metal que a Bahia, a terra da axé-music. E,
na Bahia, não há bairro mais estranho para rolar um show de metal do que
Cajazeiras. Não é?
Não, está tudo errado. Cajazeiras tem uma das cenas de metal
mais fortes de Salvador. É o que mostrou nesse final de semana mais um edição
do Cajazeiras Metal Fest, agora na terceira edição. Em dois dias de evento,
foram 16 bandas locais, que arrastaram até a Associação dos Praças da Policia
Militar (Boca da Mata), nessa sexta e sábado, algumas centenas de pessoas. “A
primeira edição do festival contou com 400 pessoas, a segunda 600, nessa a
gente ainda não contou, mas esperamos superar as anteriores”, explica Hecton
Carvalho, baterista da Thelema e um dos organizadores do evento.
Esses aí são Danilo e Hecton, os responsáveis pelo festival.
O começo - O Cajazeiras Metal Fest tem uma história
inusitada. Em 2004, num Festival de música escolar com várias bandas de estilos
musicais diferentes, estavam duas bandas de metal, a Mensageiro do Caos e a
Thelema, ambas de thrash metal. No decorrer das apresentações destas bandas,
ocorreram diversos problemas técnicos intencionalmente gerados pelo operador,
devido às músicas executadas não agradarem parte do público presente, inclusive
o operador de som. Insatisfeito com o ocorrido, Danylo Pontes, vocalista da
Mensageiro do Caos montou um projeto para a realização de um festival de metal em Cajazeiras. Ele
então resolveu chamar seu amigo Hecton Carvalho, baterista da Thelema.
“O motivo do festival acontecer em Cajazeiras foi pelo
grande número de fãs de Cajazeiras que se faz presente nos shows de Metal de
Salvador em outros bairros, com dificuldade de deslocamento e para realizarmos
um evento do gênero nesse bairro maravilhoso. É o maior bairro da américa
latina”, explica Hecton.
Esse ano, entre as bandas que se apresentaram estavam
Cruzadas (heavy metal), Aqueronte (doom metal), Dryad (power metal), Keter
(trash e death metal), R.E.S.T. (trash), Soul Wind (heavy metal), Portal (heavy
metal), Satany Litany (black metal), Hate Devastation (trash e death metal),
Dimensões Distorcidas (trash metal), Mental Suffering (death metal), Metropolis
(prog metal), Knightrider (thrash metal), Tahirãa (black metal), Fullminant
(trash metal), Natio Morto (gothic e doom metal).
As garotas fazem charme durante a apresentação da Dimensões
Distorcidas, à direita Ana Paula, à extrema direita, um cabeludo bangueando.
O público - Eu cheguei lá de camisa branca e até me
arrependi quando vi aquele mar de camisas pretas, aí eu resolvi falar com as
pessoas. “É a primeira vez que eu venho no Cajazeiras Metal Fest, eu sempre
ouvi falar do festival, mas nunca vim. Meu pai nem sabe que eu estou aqui”,
conta Ana Paula, 18, que é estudante. “Na escola o povo escalda porque eu gosto
de metal, diz que eu sou doida, vagabunda. Mas eu mando todo mundo ir a merda,
rock and roll”, completa.
Mas a história mais interessante é a de Simona, 18. Ela é de
Feira de Santana, mora em
São Paulo , está em Camaçari e veio para o festival. “Daqui eu
vou para o Rio de Janeiro, depois Minas, Bolívia e depois Venezuela, tudo para
ver show de metal”. Ela é recepcionista de um hotel em São Paulo e adiantou as
férias para vim ver o festival em Cajazeiras. “O metal daqui de Salvador é
muito bom, eu acompanho desde criança. É um dos mais extremos do mundo. O
pessoal é muito amigo, uma família, mas também é um dos mais extermos. Eu
adiantei as férias só por causa disso.
Essa aí é Simona, ela era uma das cinco pessoas de branco no
festival (eu contei). “A camisa branca é melhor porque destaca o logo da banda
que você quer mostrar”, garante.
Essa é uma entrevista, no Soterópolis, com Hecton e Danilo
sobre o Cajazeiras Metal Fest 3.